Quando a Escola Esvazia
Evasão Escolar e o Custo Social-Econômico do Presente
DOI:
https://doi.org/10.56069/2676-0428.2026.751Palavras-chave:
Evasão Escolar, Desigualdades Educacionais, Desenvolvimento Socioeconômico.Resumo
A evasão escolar, entendida como interrupção do percurso educativo antes da conclusão de uma etapa, não se reduz a decisão individual: vincula-se a desigualdades históricas, a práticas institucionais e a condições de vida que tensionam o direito à escolarização contínua (Abramovay; Castro, 2003). No período pandêmico, rupturas de rotina e assimetrias de infraestrutura entre redes e territórios aumentaram riscos de abandono, sobretudo entre estudantes pobres e moradores de periferias (Artes, 2023; Fundação Carlos Chagas, 2023). O artigo objetiva analisar, por revisão bibliográfica qualitativa, os reflexos da evasão no desenvolvimento social e econômico da sociedade contemporânea, com ênfase no Brasil. A justificativa ancora-se no efeito em cadeia do abandono sobre trabalho e renda, formação cidadã e custos coletivos para políticas públicas (Neri, 2009; Castro, 2019). A pergunta da pesquisa indaga: de que modo a evasão escolar repercute em processos de desenvolvimento social e econômico e quais diretrizes de enfrentamento a literatura explicita? Metodologicamente, realizou-se pesquisa bibliográfica, com seleção de obras clássicas e estudos recentes sobre determinantes, impactos e políticas de permanência, sintetizados por análise temática (Gil, 1991). Os resultados apontam caráter multicausal do fenômeno, destacando trabalho precoce, vulnerabilidade socioeconômica, clima escolar e fragilidades do apoio pedagógico, além de impactos sobre produtividade, mobilidade social e coesão comunitária (Barros; Mendonça, 2009; Gomes, L. R., 2005). Conclui-se que a redução da evasão requer estratégias intersetoriais, combinando ações escolares de acolhimento e aprendizagem com proteção social e monitoramento público de fluxos, evitando respostas simplificadoras que prometem “inovação” sem enfrentar desigualdades (Balzan, 1989; Inep, 2017).
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