Inclusão Escolar de Estudantes com Disritmia Cerebral
Estigma, Currículo e Protocolos de Apoio
DOI:
https://doi.org/10.56069/2676-0428.2025.756Palavras-chave:
Epilepsia, Inclusão Escolar, Formação Docente.Resumo
Nas escolas brasileiras, estudantes com disritmia cerebral — frequentemente associada a quadros de epilepsia e crises epilépticas — vivenciam obstáculos que extrapolam o manejo clínico e atingem, de modo direto, as condições de participação, aprendizagem e pertencimento. O artigo analisa, de forma crítica, como o desconhecimento sobre a condição, aliado a estigmas e a práticas escolares padronizadas, produz barreiras que se expressam no currículo, nas interações e na organização institucional. Objetiva-se compreender, no âmbito do cotidiano escolar, quais fatores intensificam a exclusão simbólica e material desses estudantes e quais estratégias sustentam uma inclusão comprometida com direitos. Justifica-se a investigação pela recorrência de interpretações moralizantes e pela tendência a reduzir a inclusão a adaptações pontuais, sem reposicionar cultura escolar, gestão e trabalho pedagógico. Pergunta-se: de que maneira a escola pode reorganizar práticas e protocolos para acolher estudantes com disritmia cerebral, reduzindo o estigma e garantindo acesso ao currículo, segurança e participação? Adota-se metodologia qualitativa, de natureza bibliográfica, por meio de revisão narrativa com procedimentos sistematizados de busca, seleção e síntese. Os resultados indicam que a formação docente insuficiente sobre epilepsia, a ausência de protocolos pactuados e a fragilidade de ações intersetoriais alimentam medo, superproteção e exclusão de experiências escolares, inclusive atividades corporais, recreação e avaliações. Conclui-se que a inclusão requer articulação entre informação qualificada, mediação pedagógica, gestão do risco sem alarmismo e revisão de rotinas escolares, com ênfase em comunicação com famílias, prevenção de discriminações e monitoramento formativo do aprendizado. Também se ressalta que a cultura escolar inclusiva depende de formação continuada e pactos institucionais.
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