Da Observação à Intervenção
O Planejamento Docente na Educação Infantil
DOI:
https://doi.org/10.56069/2676-0428.2026.757Palavras-chave:
Observação Pedagógica, Planejamento Docente, Brincar.Resumo
No contexto da Educação Infantil, a qualidade das experiências oferecidas às crianças depende de um planejamento que parte da observação do cotidiano e se converte em intervenções intencionais, sensíveis às culturas infantis e aos direitos de aprendizagem. O artigo objetiva analisar, em perspectiva teórico-bibliográfica, como a observação, o registro e a interpretação das ações das crianças sustentam decisões docentes de planejamento, articulando tempo, espaço, materiais e propostas de brincar e aprender. A justificativa ancora-se na necessidade de superar rotinas prescritivas e fragmentadas, favorecendo um planejamento que responda ao que as crianças fazem e negociam nas interações, conforme orientações curriculares nacionais e aportes da didática da pré-escola (Aroeira et al., 1996; Brasil, 1998). Pergunta-se: de que modo a passagem da observação à intervenção pode operacionalizar um planejamento docente mais reflexivo e coerente com a intencionalidade pedagógica? Adota-se metodologia qualitativa, de natureza bibliográfica, organizada como revisão narrativa, com leitura analítica e síntese temática de obras sobre planejamento, projetos, brincadeira e mediação (Barbosa e Horn, 2008; Kishimoto, 2002; Vasconcellos, 2000). Os resultados indicam que (i) a observação ganha potência quando se combina a registros descritivos e a documentação pedagógica; (ii) o planejamento se fortalece quando formula hipóteses sobre o desenvolvimento e prevê intervenções abertas à imprevisibilidade do brincar (Vigotsky, 1998; Ostetto, 2010); e (iii) a avaliação formativa, integrada ao planejamento, reorganiza a prática sem reduzir a infância a métricas. Conclui-se que o planejamento docente, quando orientado por observação interpretativa e por projetos, amplia a responsividade pedagógica e sustenta ações formativas e culturalmente situadas.
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