Entre o Sujeito Ecológico e a Sala de Aula
Concepções e Práticas Docentes em Educação Ambiental
DOI:
https://doi.org/10.56069/2676-0428.2016.760Palavras-chave:
Educação Ambiental Crítica, Práticas Docentes, Currículo, Sustentabilidade.Resumo
A intensificação de crises socioambientais, associada à ampliação de desigualdades e a disputas de sentidos sobre natureza, desenvolvimento e responsabilidade coletiva, reposiciona a escola como espaço de problematização pública e de formação de modos de viver. Este artigo objetiva analisar concepções de educação ambiental (EA) mobilizadas por docentes e discutir desdobramentos práticos para o cotidiano escolar, tomando como horizonte a EA crítica. Justifica-se o estudo pela persistência de abordagens pontuais e prescritivas, centradas em condutas individuais, que tendem a deslocar conflitos e relações de poder subjacentes aos problemas ambientais. Formula-se a pergunta de pesquisa: como as concepções de EA assumidas por docentes condicionam a seleção de práticas pedagógicas e a integração curricular de ações socioambientais no ensino básico? Adota-se metodologia qualitativa, de natureza bibliográfica, por meio de revisão narrativa da literatura e análise interpretativa de referenciais teórico-normativos e de estudos empíricos sobre práticas docentes. Os resultados indicam três blocos recorrentes de concepções: (i) naturalista-conservacionista, voltada à sensibilização e à proteção de recursos; (ii) pragmática-gestora, centrada em resíduos, consumo e rotinas escolares; (iii) crítica-emancipatória, orientada à leitura de conflitos e à participação. Evidencia-se que dispositivos didáticos como júri simulado, projetos sobre água e resíduos e modelagem matemática ampliam a argumentação e o vínculo com o território quando ancorados em problematização coletiva. Conclui-se que a efetividade curricular da EA depende de formação docente continuada, de planejamento integrado e de avaliação formativa capaz de sustentar continuidade, evitando a fragmentação por eventos e reforçando a construção do sujeito ecológico na escola (Carvalho, 2005).
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