Educação financeira na Geografia do Ensino Médio

Transversalidade, tecnologias digitais e letramento territorial do consumo

Autores

  • Lucineia Deina Thies Faculdade Interamericana de Ciências Sociales

DOI:

https://doi.org/10.56069/2676-0428.2026.764

Palavras-chave:

Letramento Financeiro, Geografia Escolar, Consumo, Território.

Resumo

A intensificação do consumo, o endividamento juvenil e a circulação de informações econômicas nas redes digitais recolocam a educação financeira como dimensão de cidadania, com impactos espaciais visíveis no bairro, na cidade e nas redes globais. O artigo objetiva analisar como a Geografia, no Ensino Médio brasileiro, pode operacionalizar a educação financeira como tema transversal, articulando território, redes, escalas e desigualdades a situações-problema ligadas a orçamento, crédito e consumo. A proposta se justifica pela presença da educação financeira nas agendas públicas e pela necessidade de mediação docente para converter informação em conhecimento, evitando abordagens prescritivas. Pergunta-se: de que modo a educação financeira, integrada à Geografia, favorece leitura crítica do espaço e tomada de decisão no cotidiano de estudantes do Ensino Médio? Metodologicamente, realiza-se pesquisa qualitativa bibliográfica, com revisão narrativa orientada por etapas de busca, seleção, síntese e fichamento, tomando como corpus estudos sobre transversalidade (Pereira; Sá; Sá Júnior, 2024), tecnologia digital em experiências didáticas (Junior Matte; Santos; Maurell, 2022), conceituações para o Ensino Médio (Muniz Junior, 2010) e sequências didáticas interdisciplinares (Batista, 2023), além de literatura sobre didática e políticas (Pozo, 2004; Morán, 2015; Brasil, 2010; Brasil, 2020). Os resultados sintetizados indicam que a transversalidade se fortalece quando problemas financeiros são espacializados, analisados em diferentes escalas e discutidos com dados locais, e que tecnologias digitais ampliam simulações e projetos, desde que acompanhadas por critérios didáticos. Conclui-se que a Geografia oferece repertório potente para letramento financeiro crítico ao explicitar relações entre consumo, trabalho, finanças e produção do espaço, com implicações para planejamento de aulas e avaliação formativa.

Biografia do Autor

Lucineia Deina Thies, Faculdade Interamericana de Ciências Sociales

Lucinéia Deina Thies é licenciada em Pedagogia e em História, com formação continuada por meio de especializações nas áreas de Gestão Escolar e Coordenação Pedagógica, Docência do Ensino Superior, Gestão Pública, Educação Financeira com Neurociência para Docentes, História do Brasil e História Social e Contemporânea. Atua na Educação Básica, com experiência no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, desenvolvendo práticas pedagógicas voltadas à formação crítica, cidadã e contextualizada dos estudantes.Atualmente, leciona Educação Financeira no Ensino Fundamental e Geografia no Ensino Médio, articulando conteúdos curriculares às demandas contemporâneas da educação e da sociedade. Possui experiência de quatro anos e meio na gestão escolar, exercendo a função de coordenadora pedagógica, com atuação no acompanhamento dos processos de ensino e aprendizagem, no apoio e orientação ao corpo docente, no planejamento pedagógico e na organização de ações educacionais.Apresenta interesse nas áreas de gestão escolar, coordenação pedagógica, formação de professores, práticas pedagógicas, educação financeira, ensino de História e Geografia, bem como em políticas públicas educacionais. Desenvolve suas atividades pautada em princípios éticos, no trabalho colaborativo e na busca pela melhoria contínua da qualidade da educação. 

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Publicado

2026-02-21

Como Citar

DEINA THIES, L. Educação financeira na Geografia do Ensino Médio: Transversalidade, tecnologias digitais e letramento territorial do consumo. Revista Científica FESA, [S. l.], v. 3, n. 35, p. 86–105, 2026. DOI: 10.56069/2676-0428.2026.764. Disponível em: https://revistafesa.com/index.php/fesa/article/view/764. Acesso em: 21 fev. 2026.