Educação de Jovens e Adultos como Política de Reparação Social

Autores

  • Adriane de Carvalho Paludo Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul

DOI:

https://doi.org/10.56069/2676-0428.2025.715

Palavras-chave:

Educação de Jovens e Adultos, Reparação Social, Políticas Públicas.

Resumo

O artigo analisa a Educação de Jovens e Adultos (EJA) como política de reparação social, situando-a no entrecruzamento de desigualdades históricas produzidas por exclusões escolares, raciais, territoriais e de classe que, ao longo de décadas, limitaram trajetórias formativas e oportunidades laborais. Com isso, objetiva-se delinear em que medida a EJA, concebida como direito público e compromisso estatal, pode reconfigurar itinerários de escolarização interrompidos, ampliar repertórios culturais e favorecer participação cidadã. Justifica-se a investigação pelo descompasso entre marcos legais e práticas efetivas nos sistemas municipais e estaduais, pelo subfinanciamento persistente e pela necessidade de modelos de oferta que considerem trabalho, cuidado e deslocamentos, dimensionando a EJA para sujeitos com tempos sociais específicos. A metodologia adota revisão bibliográfica narrativa, mobilizando literatura acadêmica, legislações educacionais, relatórios de organismos nacionais e estudos empíricos recentes, com critérios de seleção que privilegiam pertinência temática, consistência metodológica e variedade de contextos federativos. Os resultados indicam que arranjos curriculares flexíveis, certificação por competências, acolhimento sociopedagógico, avaliação formativa e parcerias intersetoriais produzem ganhos mensuráveis em permanência e aprendizagem, sobretudo quando articulados a políticas de assistência estudantil, formação docente continuada e reconhecimento de saberes do trabalho. Conclui-se que a EJA, quando ancorada em financiamento estável, governança colaborativa e transparente, consolida-se como instrumento de redistribuição e reconhecimento, reduzindo passivos educacionais e tensionando práticas discriminatórias, ao mesmo tempo em que institui condições para o exercício ampliado de direitos.

Biografia do Autor

Adriane de Carvalho Paludo, Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul

Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (2002). Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Coordenação Pedagógica. Experiências profissionais como Diretora de EMEF "Dona Josefina" (atualmente), professora e diretora de EMEF Roque Gonzáles (RS), Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto de Tenente Portela, Coordenadora do ensino fundamental do município de Tenente Portela(RS), Coordenadora do PRONA, Supervisora pedagógica, Coordenadora dos Parametros curriculares em ação, secretária Municipal de Assistência social, coordenadora do Projeto Agente, Jovens.

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Publicado

2025-04-30

Como Citar

PALUDO, A. de C. Educação de Jovens e Adultos como Política de Reparação Social. Revista Científica FESA, [S. l.], v. 3, n. 25, p. 341–355, 2025. DOI: 10.56069/2676-0428.2025.715. Disponível em: https://revistafesa.com/index.php/fesa/article/view/715. Acesso em: 30 jan. 2026.