Políticas de ampliação da jornada escolar
DOI:
https://doi.org/10.56069/2676-0428.2025.733Palavras-chave:
Educação Integral, Políticas Públicas, Gestão Escolar.Resumo
Objetivo geral: analisar, à luz da produção acadêmica e normativa disponível, a implementação do Programa Escola Plena e os deslocamentos institucionais implicados na transição do ensino regular para o tempo integral. Justificativa: a ampliação da jornada, embora tenha se consolidado como estratégia de recomposição curricular e de enfrentamento de desigualdades educacionais, demanda leituras críticas sobre condições de oferta, reorganização do trabalho docente e coerência entre diretrizes e práticas escolares. Metodologia: revisão bibliográfica narrativa, com seleção de estudos, dissertações, artigos e documentos oficiais sobre educação integral e políticas de tempo integral, priorizando análises que discutem gestão, currículo, formação docente e infraestrutura. Resultados: a literatura consultada indica avanços associados ao redesenho de tempos e espaços pedagógicos e ao fortalecimento de projetos interdisciplinares, mas evidencia tensões recorrentes relacionadas à sustentabilidade financeira, à adequação física das unidades, à intensificação do trabalho docente e à necessidade de formação continuada contextualizada; também se observam riscos de implementação desigual entre escolas, com efeitos diferenciados na permanência e no engajamento estudantil. Considerações finais: a consolidação da Escola Plena requer governança articulada, monitoramento de indicadores qualitativos e quantitativos e desenho de apoio institucional que considere realidade territorial, cultura escolar e condições objetivas de trabalho, evitando leituras celebratórias ou reducionistas sobre a educação integral.
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