Disritmia Cerebral na Escola Comum
Tensões, Mediações Pedagógicas e Garantias de Escolarização
DOI:
https://doi.org/10.56069/2676-0428.2025.755Palavras-chave:
Educação Inclusiva, Paralisia cerebral, Avaliação formativaResumo
A escolarização de alunos com disritmia/dismotria cerebral — termo que, no cotidiano escolar, costuma designar quadros neuromotores associados à paralisia cerebral e a alterações de coordenação, tônus e autorregulação — tensiona rotinas pedagógicas que muitas vezes confundem participação com velocidade e escrita manual com único indício de aprendizagem. Este artigo contextualiza o debate no movimento brasileiro de inclusão e problematiza a persistência de práticas seletivas travestidas de modernização. Objetiva analisar criticamente a inclusão do aluno com disritmia/dismotria cerebral no ambiente escolar, identificando barreiras e delineando princípios de mediação docente e institucional. Justifica-se pela presença crescente de estudantes com deficiências neuromotoras em classes comuns e pela recorrência de dificuldades na avaliação e no planejamento, que podem reduzir o sujeito ao diagnóstico. Pergunta-se: como o ambiente escolar pode operacionalizar práticas de ensino e avaliação que ampliem participação e aprendizagem sem converter o diagnóstico em destino? Adota-se metodologia qualitativa, de natureza bibliográfica, organizada como revisão narrativa com procedimentos sistematizados de busca, triagem e síntese. Os resultados apontam três núcleos críticos: (1) barreiras de acesso ao currículo produzidas por expectativas homogeneizantes e por falta de apoios; (2) avaliação centrada em produto e rapidez, que intensifica exclusões; e (3) fragilidade da cultura colaborativa e do trabalho interprofissional. Conclui-se que a inclusão demanda reconfiguração de práticas e de critérios, com avaliação formativa, flexibilização de meios de expressão e fortalecimento de comunidades escolares acolhedoras. Além disso, recomenda-se registrar adaptações com transparência, sustentar expectativas altas e realistas e monitorar avanços por indicadores múltiplos, articulando família, AEE e equipe pedagógica.
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