Salas de Recursos Multifuncionais e Atendimento Educacional Especializado em Itiquira-MT
Limites e Potencialidades da Inclusão Escolar
DOI:
https://doi.org/10.56069/2676-0428.2026.777Palavras-chave:
Educação Inclusiva, Atendimento Educacional Especializado, Salas de Recursos MultifuncionaisResumo
A consolidação da educação inclusiva no Brasil deslocou o debate pedagógico da mera matrícula de estudantes público-alvo da Educação Especial para a análise das condições concretas de permanência, participação e aprendizagem no interior das redes públicas. Nesse cenário, o Atendimento Educacional Especializado (AEE) e as Salas de Recursos Multifuncionais assumem centralidade, uma vez que articulam acessibilidade, mediação pedagógica e apoio ao trabalho docente no ensino comum. O presente artigo tem por objetivo analisar criticamente como se organiza o uso das salas de recursos e do AEE no município de Itiquira, Mato Grosso, considerando suas contribuições, limites operacionais e efeitos no processo de inclusão escolar. O problema fomentador pode ser sintetizado na seguinte indagação: em que medida a existência de AEE, de salas de apoio pedagógico e de recursos multifuncionais, articulada à formação docente e às condições institucionais, favorece a aprendizagem e a inclusão de estudantes com necessidades educacionais especiais no ensino fundamental? Metodologicamente, trata-se de estudo de abordagem qualiquantitativa, com base em revisão bibliográfica, análise documental e pesquisa de campo realizada em escolas das redes municipal e estadual, envolvendo questionários com gestores, coordenadores, professores regentes e profissionais especializados. Os resultados indicam que as escolas com AEE ou com apoio especializado tendem a apresentar maior capacidade de identificação de barreiras, melhor organização das intervenções e maior percepção de avanços na aprendizagem. Ao mesmo tempo, persistem entraves ligados à formação específica insuficiente, à limitação de materiais, à precariedade do espaço físico e à frágil articulação intersetorial. Conclui-se que o AEE representa avanço substantivo na política de inclusão, mas sua efetividade depende menos da existência nominal da sala e mais da articulação entre gestão, planejamento, recursos, formação e trabalho pedagógico colaborativo.
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