Autodeterminação e Deficiência Intelectual
Representações sociais acerca da autonomia de adolescentes
DOI:
https://doi.org/10.56069/2676-0428.2026.798Palavras-chave:
Autodeterminação, Deficiência intelectualResumo
A autodeterminação de adolescentes com deficiência intelectual demanda reflexão que ultrapassa a noção restrita de independência funcional, pois envolve escolhas, tomada de decisão, resolução de problemas, autoconhecimento e oportunidades concretas de participação social. Partindo da tese Representações sociais dos genitores acerca da autodeterminação de seus filhos adolescentes com deficiência intelectual moderada, este artigo analisa como pais e mães representam a autonomia de adolescentes com deficiência intelectual moderada e de que modo tais representações tensionam práticas familiares de proteção, estímulo e controle. O problema fomentador consiste em compreender quais imagens, significados e ancoragens sustentam as atitudes parentais diante da autodeterminação, sobretudo quando o reconhecimento discursivo da autonomia convive com o receio de exposição dos filhos a riscos cotidianos. O objetivo geral é discutir as representações sociais de genitores acerca da autodeterminação de adolescentes com deficiência intelectual moderada, articulando a Teoria das Representações Sociais e os estudos sobre autodeterminação. Metodologicamente, trata-se de estudo transversal, não probabilístico, qualiquantitativo, com amostra por conveniência composta por 30 casais, totalizando 60 genitores. Os dados foram produzidos por questionário sociodemográfico e entrevista semiestruturada baseada na Escala ARC, analisados por IRAMUTEQ e pelo teste U de Mann-Whitney. Os resultados indicam que pais e mães associam autodeterminação à capacidade de resolver problemas, agir, desenvolver-se e conquistar independência, embora a deficiência intelectual seja frequentemente objetivada como limitação que dificulta a autonomia. Conclui-se que práticas familiares mediadas por apoio, informação e escuta podem deslocar representações centradas na incapacidade para representações orientadas por direitos, desenvolvimento e participação. em contextos familiares e escolares.
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