Entre proteção e emancipação
Expectativas familiares sobre o futuro de adolescentes com deficiência intelectual
DOI:
https://doi.org/10.56069/2676-0428.2026.799Palavras-chave:
Deficiência intelectual, Expectativas familiares, Autodeterminação.Resumo
A deficiência intelectual, quando vivida na adolescência, tensiona expectativas familiares marcadas por cuidado, proteção, medo e desejo de autonomia. Esse cenário torna-se sensível quando o futuro dos filhos é pensado em relação à moradia, escolarização, trabalho, escolhas cotidianas e permanência ou redução da dependência familiar. Este artigo tem como objetivo geral analisar, a partir de dados de tese doutoral, as expectativas familiares sobre o futuro de adolescentes com deficiência intelectual moderada, considerando a tensão entre proteção e emancipação. O problema fomentador pergunta de que modo pais e mães representam as possibilidades futuras de autonomia desses adolescentes e em que medida suas práticas favorecem ou restringem experiências autodeterminadas. Metodologicamente, trata-se de recorte qualitativo-quantitativo, transversal, não probabilístico, derivado de pesquisa com 30 casais, totalizando 60 genitores, cujas entrevistas foram examinadas por análise lexical com IRAMUTEQ e por comparação inferencial com teste U de Mann-Whitney. Os resultados evidenciam que os genitores reconhecem a autonomia como dimensão necessária ao desenvolvimento, mas a associam a dificuldades, risco, incapacidade e necessidade de controle. As mães aparecem mais vinculadas ao medo de ausência de suporte futuro, enquanto os pais indicam maior preocupação com autonomia doméstica, cuidado de materiais, compras e intensidade da autonomia. Conclui-se que a proteção familiar, quando não acompanhada de oportunidades graduais de escolha, pode converter-se em obstáculo à emancipação, exigindo ações intersetoriais que apoiem famílias, escolas e serviços especializados na construção progressiva da vida adulta com participação social, segurança e dignidade. O texto oferece, ainda, subsídios para intervenção familiar e planejamento de transição cuidadosa.
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