Representações Sociais da Deficiência Intelectual no Contexto Familiar
Contribuições da Teoria das Representações Sociais
DOI:
https://doi.org/10.56069/2676-0428.2026.800Palavras-chave:
Deficiência intelectual., Representações sociais., Autodeterminação.Resumo
A deficiência intelectual, quando interpretada apenas como limitação individual, tende a produzir discursos familiares marcados por proteção contínua, baixa expectativa de autonomia e dificuldade de reconhecer adolescentes como sujeitos capazes de participar das decisões que afetam a própria vida. Este artigo, de natureza teórico-analítica, toma como referência a tese Representações sociais dos genitores acerca da autodeterminação de seus filhos adolescentes com deficiência intelectual moderada, de Sandra Beltrão Tavares Costa, e discute como a Teoria das Representações Sociais contribui para compreender a produção do senso comum familiar sobre deficiência, cuidado e autodeterminação. O objetivo geral consiste em analisar, à luz de Moscovici e Jodelet, de que modo os mecanismos de ancoragem e objetivação ajudam a explicar representações familiares que associam deficiência intelectual a incapacidade, dependência e vulnerabilidade. O problema que orienta a reflexão pergunta como discursos socialmente partilhados sobre deficiência intelectual interferem na construção familiar da autonomia adolescente. Metodologicamente, o artigo organiza-se como estudo bibliográfico e interpretativo, apoiado em revisão narrativa e análise conceitual de obras presentes na tese, com ênfase em autores da Teoria das Representações Sociais e nos estudos sobre deficiência intelectual. Os resultados bibliográficos indicam que a deficiência intelectual tende a ser objetivada em imagens de fragilidade e ancorada em repertórios biomédicos, escolares e morais, o que pode naturalizar práticas de superproteção. Conclui-se que a Teoria das Representações Sociais oferece matriz fecunda para deslocar a análise da deficiência de uma leitura individualizante para uma compreensão psicossocial, relacional e cultural da autonomia no cotidiano familiar brasileiro.
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