HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA
PRÁTICAS DOCENTES E COMPREENSÃO LEITORA NO ENSINO MÉDIO EM GOIANA-PE
DOI:
https://doi.org/10.56069/2676-0428.2026.862Palavras-chave:
Ensino de Língua Portuguesa, Histórias em quadrinhos, Compreensão leitora.Resumo
A compreensão leitora no Ensino Médio exige que os estudantes mobilizem conhecimentos linguísticos, inferenciais e discursivos diante de textos constituídos por diferentes modos de significação. Nesse cenário, as histórias em quadrinhos (HQs) apresentam possibilidades pedagógicas relevantes por articularem linguagem verbal, imagem, sequência narrativa, recursos gráficos, humor, ironia e elementos culturais. O presente artigo tem como objetivo analisar de que forma o uso dos quadrinhos pode favorecer a compreensão leitora de estudantes do Ensino Médio, considerando as práticas relatadas por professores de Língua Portuguesa de duas escolas públicas estaduais situadas em Goiana, Pernambuco. A investigação, de abordagem qualitativa, contou com dez docentes, sendo quatro da Escola Estadual Cel. José Pinto de Abreu e seis da Escola Técnica Estadual Aderico Alves de Vasconcelos, selecionados por amostragem não probabilística e intencional. Os dados foram produzidos por meio de entrevistas abertas e examinados mediante organização temática e análise interpretativa. Os resultados indicam que as HQs são utilizadas para interpretação textual, articulação entre linguagem verbal e não verbal, análise de elementos narrativos, abordagem de gêneros multimodais, discussão de ironia, humor, intertextualidade e crítica social. Entre as estratégias consideradas mais produtivas aparecem leitura guiada e compartilhada, perguntas inferenciais, dramatização, debates e produção de tirinhas. Os achados também mostram que os quadrinhos integram um repertório mais amplo de materiais de leitura e podem funcionar como mediação para práticas de leitura crítica. Conclui-se que sua contribuição não decorre apenas do caráter atrativo do gênero, mas da exploração pedagógica intencional de sua multimodalidade e das relações de sentido construídas entre palavra e imagem.
Referências
ANTUNES, I. A linguagem oral na escola: rodas de conversa, produções coletivas e atividades de interpretação. São Paulo: Parábola Editorial, 2020.
BARDIN, L. Análise de conteúdo. Tradução de Luís Antero Reto e Augusto Pinheiro. São Paulo: Edições 70, 2016.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2018.
CAMPOY, A. T. J. Metodología de la investigación científica: manual para elaboración de tesis y trabajo de investigación. [S. l.]: Marben, 2019.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
FREIRE, P. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 39. ed. São Paulo: Cortez, 2000.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
ROJO, R. Práticas de multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola Editorial, 2020.
SOLÉ, I. Estratégias de leitura. Porto Alegre: Penso, 2021.